A decisão da Sony de migrar gradualmente para a venda de jogos exclusivamente em formato digital a partir de 2028 gerou discussões significativas sobre a natureza da compra de jogos. Com essa mudança, os consumidores não terão mais discos físicos para armazenar, mas, segundo a empresa, também não serão considerados proprietários dos jogos, possuindo apenas uma licença para acessá-los.
Esse cenário se torna ainda mais complicado em meio a uma ação judicial na Califórnia, onde um grupo de jogadores acusa a Sony Interactive Entertainment de não esclarecer que, ao adquirir um jogo digital, o consumidor obtém apenas direitos de uso e não a propriedade do produto. A empresa, por sua vez, defende que não é razoável supor que os consumidores acreditariam que estão comprando um jogo no sentido tradicional.
Na defesa apresentada à Justiça, a Sony argumentou que os termos de serviço são claramente visíveis e que os usuários estão cientes de que o jogo é licenciado, não vendido. A empresa questionou, inclusive, como dois consumidores poderiam ser considerados proprietários do mesmo jogo, caso o tenham “comprado” em datas diferentes, como ocorreu com um intervalo de apenas 11 dias entre as duas aquisições.
Com as revelações feitas pela Sony Interactive Entertainment, muitos usuários começaram a se manifestar nas redes sociais, expressando sua insatisfação com a nova política. O debate sobre o que significa “comprar” um jogo se intensifica, especialmente se a indústria decidir continuar na direção da eliminação das mídias físicas.
O impacto dessa mudança na relação entre a Playstation e os consumidores é uma preocupação discutida em veículos especializados, como o Game Substack, que consideram prematuro prever as verdadeiras consequências dessa nova abordagem. Jogadores mais antigos demonstram um receio maior frente a esse futuro sem mídias físicas.
“Embora possa parecer trivial, ter um jogo em formato de CD representa uma forma de colecionar e possuir fisicamente algo que proporcionou horas de diversão”, afirma Yann Neves, expressando sua apreensão. Ele observa que, no atual contexto digital, uma simples rolagem no feed de redes sociais pode substituir a experiência de interação com os jogos, semelhante ao que já ocorre com filmes. Neves espera que essa realidade não se concretize para os jogos, preferindo, claramente, manter CDs ao invés de códigos digitais.

