O Brasil se prepara para o segundo turno das eleições presidenciais e para governador em sete estados, em um contexto onde a política enfrenta um retrocesso preocupante. Com a civilização em confronto com a barbárie, o legislativo, abrangendo Senado, Câmara Federal e Assembleias estaduais, já parece ter definido um caminho em direção a uma era sombria nas próximas décadas.
Um evento recente, que ocorreu no último domingo (4), trouxe à tona a questão da legitimidade das urnas, especialmente quando a extrema-direita sai vitoriosa. Em São Paulo, o estado mais rico do país, o que se observa é uma escolha alarmante no Senado, onde um policial expulso da Rota devido a excessos de violência foi eleito em detrimento de uma ambientalista. A deputada estadual mais votada, que se autodenomina antifeminista, já fez declarações controversas sobre a colonização e os indígenas, enquanto o deputado federal mais votado desmerece a importância da educação e menospreza a luta dos professores contra a precarização do setor.
Esse cenário, que lembra a véspera do golpe de 1964 e flerta com a Idade Média, destaca um aspecto preocupante: a sobrevalorização do futebol em detrimento de questões sociais reais. Embora o futebol desempenhe um papel significativo na cultura e na economia, assim como na formação de laços familiares, a sua relevância não deve ofuscar questões sociais mais urgentes.
É importante ressaltar que a crítica não se baseia em um discurso elitista que desmerece o futebol como um mero entretenimento. Desde a infância, o autor deste texto vivenciou a paixão pelo esporte, que o levou a escolher a carreira de jornalista esportivo. O amor pelo futebol e pelo seu time, que se estende a momentos importantes da vida familiar, é um testemunho da força que o esporte tem para unir as pessoas.
A relação entre futebol e política também é complexa. Enquanto o Brasil enfrenta desafios significativos, como os 818 mil mortos pela Covid-19 e outras tragédias sociais, o futebol se torna um espaço de reflexão sobre o que realmente importa. Os eventos esportivos e a indústria das apostas, que geram controvérsias, revelam uma sociedade que, muitas vezes, prioriza o entretenimento em detrimento de questões sociais sérias. A falta de coragem para enfrentar problemas reais, como a precarização do trabalho e a educação, é um reflexo do estado atual da política brasileira.
Por fim, a situação do futebol no Brasil não se limita às proibições e controvérsias; é um sinal de que, mesmo em tempos difíceis, deve-se buscar uma forma de equilibrar a paixão pelo esporte com uma consciência social mais ampla. O futuro do futebol e da política no Brasil depende de um engajamento cívico que valorize tanto as tradições culturais quanto as necessidades sociais urgentes.

