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Israel reprova escolha de jurista para o Nobel da Paz após acusações de genocídio

O governo de Israel manifestou descontentamento com a decisão do Comitê Norueguês do Nobel de premiar Navi Pillay, que presidiu uma comissão da ONU que acusou Israel de genocídio na Faixa de Gaza. A entrega do prêmio está marcada para 10 de dezembro.

O governo de Israel expressou sua insatisfação na última sexta-feira, 9, em relação à decisão do Comitê Norueguês do Nobel que concedeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026 à jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos. A premiada liderou uma comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) que acusou Israel de genocídio na Faixa de Gaza durante o conflito com o grupo terrorista Hamas.

Em uma declaração publicada em suas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores de Israel criticou a escolha, afirmando que, se houvesse um prêmio para mentiras, ódio e calúnias, Navi Pillay seria a favorita. A chancelaria israelense também fez menção a Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do regime nazista, insinuando que a decisão do comitê legitima preconceitos contra o país.

A escolha de Pillay foi justificada pelo Comitê Norueguês com base em seus esforços em prol da paz e do direito internacional. Em 2025, a comissão da ONU, sob sua presidência, concluiu que Israel havia perpetrado atos de genocídio contra os palestinos em Gaza, responsabilizando as autoridades israelenses por não terem tomado medidas para prevenir ou punir tais crimes. Israel, por sua vez, refutou essas alegações.

Em sua primeira declaração após o anúncio da premiação, realizada em Nuremberg, na Alemanha, Navi Pillay fez uma ironia sobre o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que, se o público aplaudisse mais intensamente, ela poderia dividir o prêmio com ele, em referência ao interesse que Trump demonstrou em receber a honraria.

A jurista dedicou o prêmio aos sobreviventes de crimes internacionais e aos defensores dos Direitos Humanos, destacando a importância de proteger essas instituições e evitar guerras. Pillay tem um histórico significativo, tendo sido alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos e juíza do Tribunal Penal Internacional, além de ter participado de investigações sobre o genocídio em Ruanda, em 1994. Ela foi a primeira mulher não branca a fazer parte da Suprema Corte da África do Sul.

O Nobel da Paz é acompanhado por uma medalha de ouro, um diploma e um prêmio em dinheiro que soma US$ 1,2 milhão. A cerimônia de entrega do prêmio está agendada para o dia 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega.

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