O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real em 1990, é apontado como o nome ideal para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual quarto mandato do presidente Lula. A avaliação consta de artigo que compara sua trajetória à de uma versão brasileira de Benjamin Button, por ter trocado a ortodoxia por teses heterodoxas ao longo dos anos.
A tese central defendida por Lara Resende é a de que um país emissor de moeda soberana não possui restrição orçamentária, podendo emitir Real sem limites, e que o aumento do déficit não deve ser motivo de preocupação, pois o endividamento do Estado representaria enriquecimento do mercado. O texto afirma que, nesse cenário, o gasto é vida.
Críticos apontam que a visão é compartilhada apenas por poucos, como a ex-presidente Dilma Rousseff, o próprio Lula, Janja e Nat Finanças, enquanto o mercado e a classe política não acreditam na proposta. Argumentam que defender a emissão indefinida de títulos pelo Tesouro Nacional, sob a alegação de que a dívida é em moeda doméstica, ignora que, quando o endividamento ultrapassa limites de sustentabilidade sem ganhos de produtividade, ocorre erosão da moeda.
O texto cita como exemplo a Venezuela, onde a inflação chegou a 2.688.670%, fazendo o salário mínimo despencar de 370 dólares para apenas 1. Hoje, 70% da população venezuelana não consome carne, ovo, peixe ou laticínios. A falta de âncora fiscal também levaria à fuga de capitais e ao aumento do dólar, pressionando a inflação e corroendo o poder de compra.
Segundo o artigo, a irresponsabilidade fiscal não atinge os engravatados da Faria Lima, que se protegem com ativos dolarizados, mas pune o trabalhador da periferia. O Brasil não é os EUA, o Real não é o Dólar, e aplicar premissas de moeda de reserva global a um país emergente seria receita para o desastre. O texto ainda menciona que Lula torra 400 bilhões de reais para se reeleger e promete ampliar programas sociais, o que, somado à falta de âncora fiscal, poderia levar a um impeachment, desde que o TCU seja honesto na análise das contas.

