Um ataque hacker atingiu os sistemas de refrigeração de três unidades regionais do Serviço Francês de Sangue (EFS) na madrugada entre domingo, 1º, e segunda-feira, 2. Os invasores modificaram os parâmetros de temperatura e descongelamento de câmaras que armazenavam plasma destinado a transfusões e à fabricação de medicamentos.
Os mecanismos de monitoramento identificaram as alterações e alertaram as equipes responsáveis, que conseguiram proteger as bolsas de plasma antes que os produtos sofressem danos. Segundo o EFS, os invasores elevaram os limites de temperatura e descongelamento dos equipamentos a níveis extremos. O jornal francês Le Canard Enchaîné, que divulgou o episódio inicialmente, informou que os hackers tentaram modificar a temperatura de armazenamento, normalmente mantida em torno de -30°C, para até 110°C.
O Ministério da Saúde francês informou nesta quarta-feira, 4, que a situação está sob controle e que as autoridades investigam o caso. O EFS declarou que não houve perda de material nem consequências para a saúde dos pacientes, e que as atividades de coleta e distribuição de sangue continuam normalmente.
A invasão atingiu equipamentos de refrigeração fornecidos por uma empresa terceirizada, e não diretamente os sistemas internos do EFS. A instituição afirmou que não foi o alvo do ataque. As equipes transferiram as bolsas de plasma para locais seguros ou adotaram medidas para preservar os produtos.
O EFS é responsável pela coleta, análise, preparação e distribuição de sangue, plasma e plaquetas na França, atendendo mais de um milhão de pacientes por ano e abastecendo mais de 1,9 mil hospitais. O Ministério da Saúde informou que desativou o acesso remoto aos equipamentos afetados. As autoridades ainda investigam como os invasores acessaram os sistemas, quais dispositivos comprometeram e quais medidas devem adotar para restabelecer a operação com segurança.

