A combinação de cotas restritas com um aumento nas barreiras não tarifárias deve favorecer apenas grandes empresas exportadoras. O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia apresenta benefícios imediatos limitados para o agronegócio brasileiro e tende a aprofundar a divisão produtiva no campo, restringindo ganhos a uma parcela minoritária de produtores capitalizados.
As cotas aprovadas no tratado representam uma fração reduzida do mercado consumidor europeu, e devem ser acessadas prioritariamente por grandes empresas. O professor Leandro Gilio avalia que essas cotas devem ser acessadas prioritariamente por “grandes players”, os únicos com capacidade de atender aos complexos processos de licenciamento e custos de conformidade exigidos pelo bloco.
A implementação do acordo impõe desafios operacionais que ultrapassam as questões tarifárias, especialmente a adequação às regras internas da UE. A especialista Giselle Galdi alerta que a exigência demandará sistemas robustos de rastreabilidade e “due diligence” com geolocalização, o que pode ser um desafio para pequenos produtores.
O acordo pode agravar o cenário de um “agro de duas velocidades”, onde menos de 5% dos produtores concentram investimentos e produtividade, enquanto pequenos proprietários sem recursos para certificação e georreferenciamento correm o risco de exclusão do mercado internacional.

