A crise de inadimplência no agronegócio brasileiro tem feito a conta chegar com força não apenas para produtores rurais, mas também para empresas que sustentam o funcionamento diário do setor. Em muitos casos, quando o produtor atrasa ou não paga, o impacto se espalha por revendas, fornecedores e prestadores de serviços — um fenômeno conhecido no mercado como 'efeito dominó'.
A Justiça de Mato Grosso deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Forte Agro, sediado em Rondonópolis, reconhecendo que a elevada inadimplência de clientes produtores rurais foi um dos fatores centrais para o agravamento da crise econômico-financeira enfrentada pelo grupo.
A recuperação judicial tem como objetivo estruturar um passivo estimado em R$ 260 milhões e inclui várias empresas e produtores rurais. O juízo reconheceu que se trata de um grupo econômico integrado, com atuação conjunta em atividades estratégicas do agronegócio, como comércio de máquinas agrícolas, venda de insumos, produção de grãos e pecuária.
Um dos pontos mais fortes do processo é o volume de valores que deixaram de entrar no caixa da empresa, com quase R$ 50 milhões represados devido à inadimplência de clientes, o que comprometeu severamente a capacidade de manter o fluxo de caixa equilibrado.


