O antissemitismo não é um fenômeno novo, mas sim uma forma de preconceito que se adapta às circunstâncias. Ao longo da história, esse tipo de discriminação nunca exigiu que o judeu fosse culpado. Em vez disso, ele apenas precisa de um novo álibi para justificar o ódio. Na Idade Média, o discurso era teológico; no século XX, carregava elementos da biologia. Atualmente, o preconceito se apresenta sob a fachada do ativismo humanitário.
Essa doença antiga encontra abrigo na militância juvenil e em grupos ideológicos que se alimentam de slogans simples, muitas vezes veiculados nas redes sociais. Para essa nova geração, estudar história, geografia e geopolítica parece ser menos importante do que repetir frases prontas. Quando os fatos desafiam suas crenças, a solução é ignorá-los. Assim, o judeu é aceito apenas na posição de vítima, e qualquer tentativa de defesa é vista como uma transgressão.
As críticas direcionadas a governos de Israel e suas ações militares são legítimas, pois Israel é um Estado e não um dogma. No entanto, a responsabilização coletiva dos judeus, a relativização de massacres quando perpetrados por aqueles que compartilham uma ideologia específica, e a negação do direito de existência de Israel revelam um preconceito disfarçado de crítica. Nesse contexto, a geopolítica torna-se um escudo para a intolerância.
O antissemitismo, por sua natureza, não precisa de uma ideologia própria. Ele se apropria de narrativas disponíveis, acusando os judeus de serem banqueiros capitalistas ou conspiradores comunistas, cosmopolitas sem pátria ou nacionalistas em excesso. Se antes o judeu era criticado por não ter uma pátria, hoje, ele é alvo de críticas por tê-la.
Essas acusações se contradizem, pois não são a causa do preconceito, mas sim seus álibis. A forma do preconceito pode mudar, mas a essência permanece a mesma. Atualmente, ele se apresenta com um vocabulário mais acadêmico e uma aparência de superioridade moral, saindo do submundo para o espaço da discussão intelectual.
O mais alarmante é quando essa nova forma de antissemitismo é vista como uma virtude. Quando o ódio é legitimado e recebe um selo de aprovação acadêmica, a barbárie se infiltra no currículo social.

