A Seleção do Uruguai busca a primeira vitória na Copa do Mundo após um empate inesperado com a Arábia Saudita. O time, sob comando de Marcelo Bielsa, enfrenta Cabo Verde neste domingo (21). Para motivar os jogadores a reencontrarem a garra charrua, o treinador pode recorrer à história impressionante de Juan Eduardo Hohberg.
Na semifinal da Copa de 1954, o Uruguai enfrentava a Hungria e estava em desvantagem, perdendo por 2 a 0. No entanto, Hohberg marcou dois gols e conseguiu empatar a partida a poucos minutos do fim. A comemoração do segundo gol, no entanto, resultou em um acidente, onde o jogador ficou inconsciente em campo após ser soterrado por seus colegas de equipe.
Um membro da equipe tentou reanimá-lo, mas sem sucesso. A equipe médica, liderada por Carlos Abate, foi chamada e constatou que Hohberg havia sofrido uma parada cardíaca, ficando sem pulso por alguns segundos. Para reverter a situação, foi administrado Coramina, um estimulante respiratório e cardiovascular da época, que teve efeito positivo.
Surpreendentemente, Hohberg insistiu em retornar ao jogo, mesmo sem a possibilidade de substituições. Ele participou dos minutos finais do tempo regulamentar e de toda a prorrogação. Apesar da derrota por 4 a 2, o jogador ainda conseguiu acertar a trave. Quatro dias depois, Hohberg fez o gol de honra do Uruguai na partida contra a Áustria, que terminou em 3 a 1 para os europeus.
Juan Eduardo Hohberg, que era argentino naturalizado uruguaio e ex-atacante do Peñarol, ficou marcado na história do futebol mundial por sua bravura em campo. Sua trajetória é lembrada especialmente em momentos de superação e luta, características que fazem parte do espírito uruguaio.
A expressão "Uruguai e nada mais" ressoou durante a Copa de 2018, quando o zagueiro Giménez fez o gol da vitória sobre o Egito. O então técnico da Seleção, Oscar Tabárez, expressou um clamor de orgulho nacional que transcende o esporte. Agora, com Marcelo Bielsa à frente da equipe, a busca por essa identidade e pela tradição uruguaia se torna ainda mais crucial, especialmente em um torneio como a Copa do Mundo. A Celeste precisa reencontrar sua essência e demonstrar em campo o que significa ser parte deste seleto grupo de jogadores que representam a nação.

