A esquerda passou por mudanças significativas na maneira de apresentar seus discursos, tornando-os mais acessíveis ao público. A pauta do aborto, atualmente vista como uma questão de justiça social e emancipação feminina, exemplifica essa transformação.
A base teórica dessa discussão remonta ao final do século 17, com as ideias de Thomas Malthus, que defendia o controle moral da população. O neomalthusianismo, surgido no final do século 19, passou a focar na intervenção estatal em questões demográficas, defendendo políticas públicas de planejamento familiar como resposta aos problemas sociais.
Nesse contexto, Francis Galton, sobrinho de Charles Darwin, introduziu o termo “eugenia”, propondo a seleção natural como um princípio aplicável à sociedade moderna. Margaret Sanger, fundadora da Planned Parenthood, implementou essas ideias, argumentando que o controle da natalidade era essencial para melhorar a qualidade da população, visando especialmente as classes trabalhadoras e minorias raciais.
Essa intersecção entre neomalthusianismo e eugenia resultou em políticas de controle populacional que impactaram desproporcionalmente populações negras, pardas e de baixa renda. Nos Estados Unidos, há uma concentração de clínicas de aborto em comunidades majoritariamente negras e latinas, refletindo um padrão semelhante no Brasil, onde mulheres negras, jovens e pobres são as principais afetadas pelo aborto.

