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A revolução tecnológica e a soberania digital no Brasil

O impacto da tecnologia na Copa do Mundo de 2026 evidencia a necessidade urgente de debater a soberania digital no Brasil. A dependência de semicondutores e a infraestrutura local são essenciais para a segurança nacional e a preservação das liberdades civis.

A Copa do Mundo de 2026 trouxe à tona não apenas a habilidade dos jogadores em campo, mas também a importância da tecnologia por trás das decisões. Um dos momentos mais marcantes do torneio ocorreu quando um gol da Croácia foi anulado em um jogo contra Portugal. A decisão foi baseada em dados transmitidos em tempo real pela bola Trionda, que utilizou um sistema de impedimento semiautomático para identificar uma posição irregular, algo que não era visível a olho nu. Essa tecnologia, desenvolvida pela Kinexon em parceria com a Adidas, teve suas raízes no Parque Científico de Hsinchu, em Taiwan, evidenciando a interconexão global dos avanços tecnológicos.

Esse episódio ressalta uma realidade crítica: os microchips se tornaram o novo petróleo da economia mundial. Eles são fundamentais para diversos setores, incluindo transporte, defesa, telecomunicações e esportes. A cadeia de produção de semicondutores representa uma das maiores vulnerabilidades e, ao mesmo tempo, um dos principais instrumentos de poder geopolítico. Países que não têm acesso garantido a essa tecnologia correm o risco de enfrentar crises industriais e dependência estratégica.

Nesse contexto, o Brasil se vê na obrigação de abordar a questão da soberania digital. A autonomia em tecnologia e a capacidade de processar dados localmente não devem ser vistas apenas como questões econômicas, mas como elementos essenciais para a segurança nacional e a proteção das liberdades civis. Em um mundo cada vez mais conectado, confiar a gestão de informações a servidores de nações estrangeiras pode comprometer a integridade democrática do país. A falta de infraestrutura adequada e uma governança robusta expõem os dados a vazamentos e espionagem.

O fortalecimento do Brasil nesse campo deve ser acompanhado de parcerias estratégicas. A cooperação com países que compartilham valores democráticos, como o modelo de Taiwan com o Paraguai, pode acelerar o desenvolvimento do capital humano e das tecnologias necessárias para garantir a soberania digital.

Assim como os semicondutores foram cruciais para o desempenho da bola Trionda, o futuro do Brasil depende de decisões estratégicas em tecnologia. A eliminação da seleção brasileira na Copa, frente à Noruega, destaca a necessidade de uma renovação não só no esporte, mas também em um debate mais amplo sobre modernização e soberania digital. A busca por uma Inteligência Artificial própria, e por alianças com nações democráticas, deve ser um motor para uma economia forte e competitiva. Afinal, tanto no futebol quanto na geopolítica, a posição global não é mantida através de nostalgias, mas pela capacidade de dominar as tecnologias que definem o jogo do futuro.

Márcio Coimbra, CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia, é mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos, tendo se formado em 2007. Ele também ocupou cargos como Diretor da Apex-Brasil e atuou no Senado Federal.

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