O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul deve gerar efeitos econômicos modestos no curto prazo, mas pode produzir ganhos estruturais relevantes ao longo dos próximos anos. As simulações sugerem ganhos macroeconômicos moderados, mas líquidos e positivos para o Brasil, impulsionados por maior atividade, investimento, salários e bem-estar, ao lado da expansão do comércio.
A relevância econômica do acordo está menos nos saldos comerciais de curto prazo e mais em sua capacidade de remodelar padrões produtivos, reduzir custos de insumos e sustentar ganhos de produtividade ao longo do tempo. O agronegócio aparece como o principal beneficiado, com um aumento de cerca de 2% na produção do setor, o equivalente a quase US$ 11 bilhões.
A indústria também será afetada, com quedas de produção concentradas em setores mais intensivos em tecnologia, como máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos, têxteis, produtos metálicos, farmacêuticos e veículos e autopeças. No entanto, essas perdas são parcialmente compensadas por ganhos em setores tradicionais, como calçados e couro, metais não ferrosos, produtos de madeira, celulose e papel e equipamentos de transporte.
As exportações brasileiras para a UE crescerão pouco mais de 20%, enquanto as importações vindas do bloco europeu avançarão mais de 70% ao longo do período analisado. A UE eliminará tarifas sobre cerca de 95% das linhas tarifárias, cobrindo aproximadamente 92% do valor importado do Brasil, com cortes imediatos ou escalonados em até 12 anos.


