A queda histórica do preço do açúcar acende um alerta no setor sucroenergético. A queda acumulada de aproximadamente 25% nos últimos 12 meses altera de forma significativa o planejamento do produtor de cana. Dr. Marco Paiva afirma que o problema vai além da oscilação da commodity, pois recuo nas cotações pressiona margens, desafia o fluxo de caixa das usinas e pode desencadear uma nova onda de renegociações no setor sucroenergético.
A conta que não acompanha o mercado no setor sucroenergético é a reforma de canavial, essencial para manter produtividade, que varia entre R$ 12 mil e R$ 17 mil por hectare, dependendo da região e do pacote tecnológico adotado. Insumos seguem pressionados, com alta acumulada próxima de 23%, contratos de arrendamento mantêm patamares elevados, o custo financeiro ainda reflete o ambiente de juros altos e despesas operacionais não acompanharam a queda da commodity. O resultado é direto: compressão de margem.
Segundo Dr. Marco, essa é a fase em que decisões precipitadas começam a comprometer o patrimônio. Em cenário de margem estreita, cada decisão precisa ser calculada. Não é o momento de agir por impulso ou expectativa de melhora rápida. A decisão sobre a reforma do canavial deixou de ser apenas agronômica e se tornou essencialmente financeira.
O ponto central está na análise do fluxo. Reforma sem planejamento de caixa pode gerar um efeito cascata. O produtor precisa entender o impacto no ciclo completo, não apenas na próxima safra. O avanço do etanol de milho amplia a concorrência e altera a dinâmica de oferta do mercado, fazendo com que a previsibilidade diminua, a competição se intensifique e a expectativa de recuperação rápida de preços perca força.

