O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) decidiu afastar o deputado federal Alex Manente da presidência nacional do Cidadania. A medida, proferida pelo desembargador Rômulo de Araújo Mendes, anula o congresso partidário que havia eleito Manente para liderar a sigla, configurando uma nova fase na disputa interna do partido.
A determinação judicial destaca que o congresso não atendeu às normas do estatuto do Cidadania, sendo o principal ponto a suposta falta de quórum necessário para a realização da assembleia. De acordo com os autos, dos 102 membros do diretório nacional, 65 apresentaram um documento afirmando que não participaram do encontro que levou à eleição de Manente.
A luta pelo controle do Cidadania já se arrasta desde o ano anterior, quando uma decisão judicial retirou o grupo ligado a Comte Bittencourt do comando da legenda e reinstaurou Roberto Freire na presidência. Esta liminar foi fundamentada na ausência de registro em cartório da ata da reunião que havia modificado a direção partidária em 2023.
Após retornar ao cargo, Freire promoveu a eleição de Alex Manente e defendeu a continuidade da federação partidária com o PSDB. O afastamento de Manente, por sua vez, fortalece a ala política que apoia Bittencourt, que atualmente preside o PSB no Rio de Janeiro e questiona a condução do processo que resultou na nova direção do partido.
Em resposta à decisão, Manente declarou que aguardará a publicação oficial do julgamento antes de se manifestar. Já Comte Bittencourt celebrou a decisão do TJDFT, afirmando que ela restabelece a regularidade dos processos internos do Cidadania. Ele caracterizou a situação anterior como um golpe, referindo-se ao congresso que o elegeu como fraudado.
"O desembargador reconstitui a normalidade e o respeito ao estatuto partidário", comentou Bittencourt, ressaltando que o processo foi doloroso devido ao esvaziamento do partido. A situação continua a gerar tensões dentro da legenda, que busca estabilizar sua direção e definir seu futuro político.

