Nesta sexta-feira, 17, a Advocacia-Geral da União (AGU) enviou uma notificação extrajudicial à plataforma X, solicitando que a empresa não retire postagens feitas por jornalistas, em defesa da "liberdade de imprensa".
A iniciativa da AGU surgiu após a repercussão negativa que o órgão enfrentou devido a um pedido anterior, que visava a remoção de postagens relacionadas ao Projeto de Lei (PL) da Misoginia. Os advogados da União, Raphael Ramos Monteiro de Souza e Clarice Calixto, assinaram a nova notificação, que orienta a análise dos conteúdos a serem removidos, enfatizando que postagens feitas por profissionais da imprensa não devem ser excluídas.
Essa nova manifestação complementa um pedido anterior da AGU, que havia requisitado a retirada de conteúdos considerados "desinformativos" sobre o PL da Misoginia. Entre as postagens mencionadas estava uma crítica feita pela jornalista Madeleine Lacsko, do site O Antagonista, que utilizou trechos de outro projeto para discutir o tema.
A solicitação da AGU foi motivada por um pedido da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), que preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. A AGU alegou que a jornalista fez uso de informações distorcidas para criticar o PL da Misoginia.
Em resposta à nova solicitação, Madeleine Lacsko expressou que a AGU, sob a liderança de Jorge Messias, recuou na tentativa de censurá-la. A jornalista destacou que a acusação de estar ligada a uma rede de desinformação foi infundada e baseada em informações incorretas propagadas por Erika Hilton e apoiadas por membros da AGU.
Ela ainda afirmou que a AGU, ao tentar deslegitimar sua reputação, promoveu desinformação e que a recusa do órgão em corrigir essa situação é ainda mais preocupante. A jornalista enfatizou que não existe prova de que os indivíduos censurados pela AGU estejam relacionados a uma rede de desinformação.

