Na última quarta-feira, 29, durante uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, declarou seu apoio ao advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Em sua fala, Vieira afirmou: "Antecipo, de forma clara e aberta, o voto favorável à indicação de Vossa Excelência pelo preenchimento completo dos requisitos constitucionais". Sua declaração foi recebida com aplausos por parte de alguns presentes na sessão.
A manifestação de apoio de Vieira é notável, considerando que, em momentos anteriores, ele havia sugerido o indiciamento de ministros do STF no relatório final da CPI do Crime Organizado, incluindo Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Essa contradição em sua postura gerou reações, como a do comentarista Flávio Gordon, que se manifestou em redes sociais questionando a seriedade de Vieira.
Após a declaração do senador, outros parlamentares de diferentes partidos expressaram solidariedade a ele. O presidente da CCJ, Otto Alencar, do PSD da Bahia, repudiou as críticas feitas por Gilmar Mendes, que insinuou que Vieira teria ligações financeiras com o Crime Organizado. Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, também defendeu a inviolabilidade parlamentar de Vieira, enfatizando que ele não poderia ser punido por suas ações no exercício de seu mandato.
Jorge Messias foi indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro do ano anterior e vinha buscando apoio entre os senadores desde então. Entretanto, a formalização dessa indicação ocorreu apenas em abril deste ano. Em uma votação realizada no plenário, a nomeação de Messias foi rejeitada por 42 votos a 34, um fato histórico, pois não ocorria uma rejeição desse tipo desde 1894, quando o médico Candido Barata Ribeiro, indicado por Floriano Peixoto, teve sua nomeação barrada.
Na ocasião de 1894, a Casa Legislativa não aceitou o nome de Barata Ribeiro, alegando que ele não possuía o "notável saber jurídico" exigido pela Constituição da época. Desde então, todos os indicados ao STF haviam sido aprovados até a votação da última quarta-feira, 29, quando a indicação de Messias foi negada. Esse episódio histórico ressalta a importância e a complexidade das escolhas feitas para compor a Suprema Corte brasileira.

