Enquanto o Brasil festeja o Carnaval, a China comemora a chegada do Ano do Cavalo de Fogo. Especialistas globais estão atentos à economia chinesa, que, apesar de pacotes de estímulo, ainda enfrenta desafios, como a crônica falta de demanda interna, resultando na exportação de deflação ao mundo. Isso traz preocupações para o Brasil.
Embora a China tenha registrado um crescimento de 5% no ano passado, o desequilíbrio entre oferta e demanda continua sendo um grande problema. O índice de preços ao consumidor caiu pelo 40º mês consecutivo, indicando um excesso de capacidade na indústria. Em contrapartida, as vendas no varejo estão crescendo no ritmo mais lento desde o colapso causado pela Covid-19, evidenciando a fragilidade da demanda interna.
Embora o país tenha evitado um risco sistêmico, a resolução do desequilíbrio ainda está distante. O governo chinês tem buscado fortalecer o consumo interno para reduzir a dependência de exportações, mas a estabilização não significa uma retomada do crescimento. O modelo de expansão imobiliária se mostra esgotado, e a falta de apetite dos consumidores continua a impactar o setor.
Os números indicam um cenário desafiador: o investimento imobiliário caiu 17,2%, e muitos imóveis permanecem não vendidos, pressionando o mercado. Famílias afetadas pela desvalorização de seus imóveis têm reduzido gastos, e governos locais, que dependem do setor para arrecadação, enfrentam dificuldades financeiras. A indústria chinesa, com consumo interno ainda fraco, busca despejar o excesso de produção no exterior.

