A aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta foi oficialmente bloqueada pela China nesta segunda-feira, 27 de novembro de 2025. A decisão foi divulgada pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão responsável pelo planejamento estatal no país, que emitiu uma ordem para o cancelamento da transação, avaliada em aproximadamente US$ 2 bilhões, ou R$ 11,4 bilhões na cotação atual.
Em comunicado, a Meta declarou que a transação estava em conformidade com a legislação pertinente e expressou esperança em obter uma solução adequada para a investigação, embora não tenha fornecido detalhes sobre como pretende abordar a situação com as autoridades chinesas.
O anúncio da aquisição ocorreu em dezembro de 2025, mas a Meta não revelou os valores envolvidos na negociação. Fontes próximas ao processo estimaram que o valor da Manus variava entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões. O objetivo da Meta era integrar os agentes autônomos desenvolvidos pela startup em seus produtos, incluindo o assistente Meta AI.
O Ministério do Comércio da China já havia iniciado uma revisão em janeiro deste ano, com o intuito de verificar se a aquisição violava regras relacionadas à segurança nacional ou ao controle de exportação de tecnologia. A investigação focou especialmente na transferência de funcionários e tecnologia da Manus para Singapura, e posteriormente para uma empresa dos EUA.
Em março, o Financial Times noticiou que os cofundadores da Manus, Xiao Hong e Ji Yichao, foram impedidos de deixar a China enquanto a investigação prosseguia. A origem da Manus, que embora tenha sede em Singapura, foi fundada na China e teve parte de sua tecnologia desenvolvida por uma empresa afiliada em Pequim, gerou preocupações para as autoridades locais.
A legislação chinesa classifica a transferência de tecnologia como uma forma de exportação, o que foi um dos fatores que contribuiu para a decisão de bloquear a aquisição. Além disso, a dificuldade em reverter a integração dos sistemas da Manus à estrutura da Meta complicará ainda mais a situação. Desde o anúncio da compra, a Meta já havia começado a integrar os executivos da startup em sua equipe.

