Mensagens trocadas em 2019, recentemente divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mostram conversas entre Steve Bannon e Jeffrey Epstein sobre o papa Francisco. Bannon enviou a Epstein uma declaração direta em que afirmava: 'Vou derrubar o papa Francisco'. Na época, Bannon já havia deixado a Casa Branca há quase dois anos e criticava o pontífice por associá-lo a pautas globalistas e elites transnacionais.
As mensagens também abordam o livro 'No Armário do Vaticano', do jornalista francês Frédéric Martel, que discute a cultura de segredo na Igreja Católica e a presença de religiosos homossexuais no Vaticano. Bannon se mostrou interessado em levar a obra para o cinema, sugerindo que Epstein atuasse como produtor-executivo do projeto. No entanto, a conversa não evoluiu, pois Epstein desviou o assunto e perguntou sobre a filmagem do filósofo Noam Chomsky.
Martel confirmou ter se encontrado com Bannon, mas não pôde negociar os direitos do livro, já comprometidos com outra empresa. O autor indicou que Bannon queria usar o livro como uma ferramenta para uma ofensiva política contra o papa. Em 1º de abril de 2019, Epstein enviou a si mesmo um e-mail com a frase 'no armário do Vaticano' e, em seguida, encaminhou a Bannon um artigo que dizia: 'Papa Francisco ou Steve Bannon? Os católicos precisam escolher'. Bannon respondeu de forma sucinta: 'Escolha fácil'.
Em 2018, Epstein mencionou a tentativa de organizar uma viagem do papa ao Oriente Médio, sugerindo o título 'tolerância'. Em outra conversa, ao comentar um artigo sobre o Vaticano que condenava o nacionalismo populista, citou um verso de 'Paraíso Perdido', de John Milton: 'Melhor reinar no inferno do que servir no céu'.

