A União Europeia decidiu, nesta terça-feira (12), excluir o Brasil da lista de países autorizados a realizar exportações de carnes e produtos de origem animal para o bloco europeu. Essa nova determinação entra em vigor a partir de 3 de setembro de 2026 e abrange tanto animais vivos quanto produtos destinados à alimentação, como carnes bovinas, aves, equinos, ovos, peixes de aquicultura, mel e tripas.
A Comissão Europeia justificou a exclusão alegando a ausência de garantias adequadas relacionadas ao controle e uso de antimicrobianos na pecuária brasileira. Essa medida faz parte de uma estratégia mais ampla da UE para reduzir o uso de antibióticos na criação animal e combater a resistência bacteriana, que se tornou uma preocupação crescente para a saúde pública.
Com essa decisão, o Brasil se torna o único país do Mercosul fora da lista. Enquanto isso, Argentina, Colômbia e México continuam autorizados a exportar seus produtos para o mercado europeu, o que levanta questionamentos sobre a posição do Brasil nas negociações comerciais do bloco.
Eva Hrncirova, porta-voz da Comissão Europeia para Saúde, confirmou que o Brasil não foi incluído na lista aprovada pelos Estados-membros durante a reunião realizada nesta terça-feira. A UE, no entanto, deixou claro que o país poderá ser reintegrado à lista se conseguir apresentar as garantias exigidas pelas autoridades sanitárias europeias.
Essa nova lista é parte de um mecanismo provisório estabelecido em 2024 e que visa adequar as importações às normas sanitárias da União Europeia. O acordo, que começou a valer temporariamente em 1º de maio, ainda aguarda uma avaliação judicial sobre sua legalidade dentro do bloco.
A exclusão do Brasil ocorre em um momento crítico, em meio a discussões sobre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, sendo interpretada como um movimento direcionado ao setor agropecuário europeu, que tem resistido à ampliação das importações de produtos da América do Sul. Christophe Hansen, comissário europeu para Agricultura, ressaltou que os produtores da UE seguem regras rigorosas de controle sanitário e uso de antibióticos, defendendo que os produtos importados também devem cumprir esses critérios.

