O conceito de 'brasileirização' está ganhando atenção em debates nas principais cidades do mundo, sendo uma referência à crise fiscal que as nações desenvolvidas ainda enfrentam. Essa crise é caracterizada por dívidas crescentes, promessas financeiras insustentáveis e uma pressão populista sobre os bancos centrais. O Brasil, que já foi visto como um exemplo negativo, agora é analisado à luz das suas questões econômicas, que começam a afetar outras economias avançadas.
A revista destaca que o fenômeno vai além da má gestão fiscal típica do Brasil, abrangendo a erosão das instituições e o não cumprimento de tetos de gastos. O país já gasta 10% do seu PIB em pensões, um índice semelhante ao do Japão, embora com uma população mais jovem. Sem reformas, esse gasto pode chegar a 16% do PIB até 2060, o que é considerado insustentável e prejudicial para a economia.
Além do volume de gastos, a distribuição desigual dos recursos no sistema previdenciário brasileiro é alarmante. Com déficits significativos tanto no setor público quanto no privado, o Brasil se destaca como uma anomalia entre as economias globais. Enquanto isso, o Judiciário e as Forças Armadas recebem os maiores benefícios, resultando em um custo elevado que limita a capacidade de investimento em infraestrutura e inovação.
A atual estrutura econômica promove um ciclo vicioso, onde os recursos são utilizados para sustentar benefícios em vez de serem investidos no desenvolvimento do país. O aumento da dívida previdenciária leva a um maior endividamento, o que obriga os bancos centrais a manter taxas de juros elevadas. Isso, por sua vez, reduz o investimento privado, que se limita a 17% do PIB, quase metade do que é registrado na Índia.

