A América Latina se destaca como a região com a maior carga tributária sobre a aviação em todo o mundo, pagando quase o dobro de impostos em comparação à América do Norte. Essa afirmação foi feita por Peter Cerdá, vice-presidente regional da Iata para as Américas, durante a assembleia anual da entidade, que ocorreu no dia 6 de outubro no Rio de Janeiro. O evento, que teve a Latam como companhia anfitriã, reuniu líderes da indústria global de aviação.
Cerdá expressou sua principal preocupação em relação à reforma tributária brasileira, que prevê uma alíquota de IVA de 26,5% sobre passagens aéreas. De acordo com cálculos da associação, essa medida poderá elevar o preço médio dos voos domésticos de US$ 130 para US$ 160 e dos voos internacionais de US$ 740 para US$ 935. A Iata estima que a demanda por voos no Brasil pode cair em até 30% caso o IVA seja implementado sem ajustes específicos para o setor aéreo.
"Com a proposta atual do IVA, será impossível manter um crescimento sustentável no curto prazo. Chega de novos impostos", afirmou Cerdá durante a assembleia.
A Iata também destacou exemplos de boas práticas de países que adotaram alíquotas reduzidas ou isenção para a aviação, citando Barbados, Guiana e Paraguai como referências positivas. A entidade está em diálogo com o Ministério da Fazenda do Brasil para apresentar essas experiências ao governo brasileiro, buscando alternativas que possam beneficiar o setor.
Desde abril, o setor aéreo brasileiro está em alerta em relação às implicações da reforma tributária. Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, já havia classificado a proposta como "um desastre" para a aviação, prevendo que as novas regras poderiam resultar em um aumento de até 25% nos preços das passagens. A Iata alertou que a crise gerada pela reforma pode comprometer a conectividade aérea no país, afetando tanto as companhias nacionais quanto as internacionais.

