A ex-deputada federal Carla Zambelli protocolou um pedido de salvo-conduto no Supremo Tribunal Federal (STF) para permitir seu retorno temporário ao Brasil durante as eleições de 2026. A solicitação foi apresentada na segunda-feira (21) e visa garantir que Zambelli possa votar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, sem o risco de ser presa. De acordo com o pedido, a ex-parlamentar pretende chegar ao Brasil no dia 3 de outubro e retornar à Itália no dia 5, logo após exercer seu direito de voto.
A candidatura da mãe de Zambelli, Rita Luzia Zambelli Salgado, a deputada federal por São Paulo pelo PL, é a razão específica para sua viagem. O advogado da ex-deputada, Eduardo Maurício, também solicitou que o STF impeça qualquer prisão durante sua entrada, permanência e saída do país, visando assegurar que possa voltar à Itália após a votação.
Além do salvo-conduto, a defesa de Zambelli busca a suspensão da execução das duas condenações que ela enfrenta, totalizando 15 anos e três meses de prisão. Em uma das condenações, Zambelli recebeu uma pena de dez anos pelo envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela apresentação de documentos falsificados, incluindo um mandado de prisão contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Essa sentença também incluiu a perda do mandato e a imposição de multa.
A outra condenação resultou em uma pena de cinco anos e três meses devido a um episódio ocorrido em outubro de 2022, em que Zambelli perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo. A defesa argumenta que a execução das penas deve ser interrompida até que o STF analise questões relacionadas a mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, que estão sob investigação no caso do Banco Master.
Zambelli deixou o Brasil em 2025, antes de iniciar o cumprimento das penas. Em junho daquele ano, o ministro Alexandre de Moraes decretou sua prisão preventiva após ela anunciar que havia saído do país. Essa decisão também resultou no bloqueio de seus bens e na inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol.
Em julho de 2025, Zambelli foi presa em Roma durante um processo de extradição. Posteriormente, a Justiça italiana decidiu pela sua soltura, rejeitando o pedido de extradição feito pelo Brasil. O caso teve novos desdobramentos na Itália, incluindo a anulação de uma decisão anterior que permitia a extradição e a determinação de uma reanálise do processo. Atualmente, a condenação de dez anos pela invasão dos sistemas do CNJ já está sendo executada no STF, em regime inicial fechado.

