Cassandra Rios, reconhecida como a escritora mais censurada do Brasil, está prestes a voltar às prateleiras com o relançamento de duas de suas obras. A editora Relicário Edições anunciou que os romances com protagonistas lésbicas de Rios serão reeditados, com previsão de lançamento para 2027. Essa iniciativa busca não apenas resgatar a memória da autora, mas também reverter o silenciamento que marcou sua trajetória.
A editora mineira visa trazer à tona o legado de Cassandra Rios, que, em sua carreira, enfrentou a censura severa, especialmente durante a Ditadura Militar, quando 36 de suas obras foram alvo de restrições. Maíra Nassif, editora-fundadora da Relicário, destaca que o projeto representa um gesto de justiça, ao devolver à literatura a visibilidade de uma escritora que sempre abordou o desejo e as relações entre mulheres.
Cassandra, que nasceu em 1932 e faleceu em 2002 aos 69 anos, foi a primeira mulher a vender mais de 1 milhão de exemplares no Brasil. Sua primeira obra, Volúpia do Pecado, foi escrita aos 16 anos e refletiu suas próprias vivências na descoberta da sexualidade. Conhecida como a Safo de Perdizes, a autora se destacou na literatura brasileira ao abordar temas que desafiavam os preconceitos da época.
Os romances que serão reeditados são Um Escorpião na Balança, lançado em 1965, e A Santa Vaca. A obra de Rios não apenas conquistou um público significativo, mas também enfrentou diversas crises financeiras em decorrência da censura, levando-a a perder bens materiais, como sua livraria localizada na Avenida São João, que se tornou um ponto de encontro de intelectuais.
A trajetória de Cassandra Rios é também retratada no documentário Cassandra Rios – A Safo de Perdizes, lançado em 2013, que está disponível no YouTube. Este projeto foi viabilizado com recursos do programa Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. O retorno das obras de Rios às livrarias não só reitera a importância de sua contribuição à literatura, mas também busca promover uma reflexão sobre a diversidade e a representatividade na literatura brasileira.

