Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, revelou em uma conversa com o empresário Thiago Miranda que a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), não foi excluída das discussões sobre a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Essa troca de mensagens ocorreu em abril de 2025, quando Celina ainda ocupava o cargo de vice-governadora.
A comunicação foi descoberta pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero e teve seu sigilo levantado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Na conversa, Miranda enviou a Vorcaro uma reportagem que mencionava que Celina havia declarado não ter sido consultada sobre o negócio, tendo tomado conhecimento da negociação pela imprensa.
Miranda sugeriu que Celina tentava se posicionar politicamente após supostamente ter sido deixada de fora da negociação. Vorcaro, por sua vez, contestou essa afirmação, afirmando que a governadora não estava fora das tratativas e que a preocupação dele era a descredibilização do Banco Master. Ele comentou que a discussão política não o preocupava, destacando que o foco deveria ser a credibilidade da instituição.
Após a revelação das mensagens, Celina negou sua participação nas negociações para a compra do Banco Master. Em uma manifestação nas redes sociais, ela reiterou que sempre foi contra a operação. "Os sigilos foram quebrados, as pessoas foram expostas. E eu não tenho preocupação sobre isso. É o diálogo de terceiros que se unem, inclusive, para me atacar porque eu era contrária a esta operação", afirmou.
A versão de Celina sobre o caso já havia sido divulgada publicamente em abril de 2025, quando ela, ainda como vice-governadora, declarou que soube da negociação através da mídia e que discordava da operação. Em uma entrevista à Globo, a governadora reiterou que sua função era limitada a representações políticas e cumprimento de agendas, e que sempre se manifestou contra a nacionalização do banco.
A mensagem de Vorcaro foi trocada no dia 5 de abril de 2025, logo após o Conselho de Administração do BRB aprovar a aquisição de 58% das ações do Banco Master. No entanto, a operação não se concretizou devido à intervenção do Banco Central. As investigações da Operação Compliance Zero também incluíram a tentativa de aquisição e outras operações financeiras do BRB com ativos do Master, que estão sob análise devido a irregularidades identificadas nas carteiras adquiridas pela instituição.

