A recente pesquisa divulgada pela Rede EJA e Inclusão Produtiva revelou que 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não completaram a educação básica, representando 37,3% da população. O estudo, que utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua, de 2025, do IBGE, destaca que esse número é superior à população total de países como África do Sul e Argentina.
O grupo de pessoas que não concluiu a educação básica é dividido em três categorias distintas. A primeira inclui 19 milhões de indivíduos que não possuem instrução ou têm apenas os quatro primeiros anos do ensino fundamental. A segunda abrange 25,6 milhões que iniciaram o fundamental, mas não o finalizaram. Por fim, a terceira categoria é composta por 19,3 milhões que completaram o ensino fundamental, mas não chegaram a concluir o ensino médio.
As barreiras para o retorno à escola variam conforme o gênero. Para os homens, o principal impedimento é a necessidade de trabalhar, enquanto as mulheres enfrentam desafios relacionados às responsabilidades familiares, como cuidar dos filhos e das tarefas domésticas. Isso evidencia que simplesmente oferecer vagas não é suficiente para solucionar o problema sem que haja mudanças nas condições de acesso.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) foi criada para atender essa população, mas atualmente apenas 1,5% da demanda potencial é atendida. Além disso, o número de municípios sem turmas de EJA mais que dobrou entre 2008 e 2024. A maioria das matrículas na modalidade no ensino fundamental ocorre à noite, o que conflita com os horários de trabalho do público-alvo.
Entre 2012 e 2025, a demanda potencial por EJA diminuiu em 16%, mas essa queda não é resultado de um aumento no acesso à educação. Na verdade, decorre da mortalidade de gerações mais velhas que tiveram menos oportunidades de escolarização.
O impacto da baixa escolaridade no mercado de trabalho é evidente. Entre aqueles que não concluíram o ensino fundamental, 43,1% estão no mercado de trabalho, enquanto essa porcentagem eleva-se para 73,5% entre aqueles que possuem ensino médio completo. A formalização do emprego também é maior entre os mais escolarizados: 38,4% dos trabalhadores sem ensino fundamental completo estão empregados formalmente, em comparação com 65% dos que completaram o ensino médio.

