Com as tarifas americanas afetando as cadeias de suprimentos e Donald Trump em meio a conflitos, a China optou por manter sua trajetória interna. O primeiro-ministro Li Qiang, em um discurso aos parlamentares, destacou a continuidade em suas políticas, com a meta de crescimento levemente reduzida e gastos fiscais inalterados. A postura em relação a Taiwan também se manteve estável, e os gastos militares foram reduzidos, mesmo com a escalada de conflitos no Oriente Médio.
A ausência de menções diretas às ações de Trump foi notável, gerando descontentamento entre investidores que esperavam estímulos econômicos. Além disso, a China não sinalizou intenção de diminuir seu superávit comercial, que preocupa autoridades norte-americanas e europeias. O crescimento da economia chinesa foi de 5% em 2025, impulsionado por um superávit comercial recorde.
O economista David Li Daokui enfatizou a necessidade de estabilidade em um período turbulento, destacando que é a prioridade número um para a economia chinesa. As ações no mercado interno tiveram um desempenho positivo, com o índice CSI 300 subindo 1% e o índice ChiNext, voltado para tecnologia, avançando 1,7%.
As autoridades chinesas adotam uma abordagem pragmática, mantendo a capacidade de implementar estímulos adicionais caso as tensões geopolíticas aumentem. O conflito no Oriente Médio e potenciais interrupções no Estreito de Ormuz podem impactar significativamente a economia global e, consequentemente, a dependência da China em relação ao comércio exterior pode representar um obstáculo ao crescimento.

