A Polícia Federal investiga um esquema que envolve o senador Ciro Nogueira (PP-PI), no qual familiares e servidores públicos foram utilizados para ocultar recursos ilícitos, possivelmente oriundos de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf revela que Nogueira recebeu uma mesada que totaliza ao menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025, período em que Vorcaro enfrentava dificuldades financeiras com seu banco.
A estrutura financeira em questão é descrita como um ‘circuito integrado’ entre as empresas das famílias Nogueira e Vorcaro, com destaque para a CNLF, controlada por Nogueira, e a BRGD, administrada por Felipe Vorcaro, primo de Daniel. A movimentação de recursos se dava por meio de uma fintech chamada PJBank, que, segundo a PF, transferiu R$ 3 milhões ao grupo do senador sem a autorização necessária do Banco Central.
Após a transferência, as empresas CNLF e CN Motos, ambas ligadas à família Nogueira, foram responsáveis por receber os valores ilícitos. A CNLF possui como sócios o senador e outros quatro familiares, enquanto a CN Motos é administrada por Nogueira e mais dois familiares. Esses negócios estariam envolvidos no processo de mistura dos recursos ilícitos com os legítimos, redistribuindo-os dentro da rede de empresas do senador.
Durante a investigação, foram identificados casos específicos de movimentações financeiras questionáveis. Um beneficiário que recebia R$ 2 mil por mês transferiu R$ 90 mil para a CN Motos em um ano. Outro exemplo inclui uma pessoa que recebeu auxílio emergencial durante a pandemia e fez um pagamento de R$ 143 mil no mesmo período. Em um fluxo inverso, a CN Motos transferiu R$ 412 mil para uma pequena empresa em Teresina, cuja capitalização era de apenas R$ 20 mil e cuja única sócia era uma funcionária da Assembleia Legislativa do Piauí, com um salário em torno de R$ 4 mil.
A PF ainda contabiliza mais de R$ 13 milhões em movimentações financeiras suspeitas envolvendo a rede de empresas ligada a Nogueira. As investigações revelaram indícios de uma relação próxima entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, incluindo pagamentos de diárias em hotéis de luxo em Nova York e na Europa, além de viagens conjuntas e repasses em dinheiro vivo. Vorcaro se referia a Nogueira como “grande amigo de vida”, e a PF atribui ao senador o recebimento de pelo menos R$ 468,7 mil em despesas relacionadas a viagens, hospedagens e refeições pagas por Vorcaro.

