A escalada do conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz expõem a insegurança energética do Brasil, conforme avaliação do ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Ele destaca a dependência do país em derivados, especialmente o diesel, e afirma que o Brasil está diante de um novo choque global do petróleo.
Gabrielli menciona que ataques a regiões produtoras e mudanças geopolíticas podem alterar a dinâmica global de oferta, aumentando a participação de países como Brasil, Canadá e Guiana no fornecimento de petróleo para grandes consumidores. Apesar disso, o Brasil enfrenta limitações internas que ampliam sua vulnerabilidade em relação aos preços e à oferta internacional.
O ex-presidente da Petrobras atribui parte dessa vulnerabilidade à interrupção de projetos de expansão do refino nas últimas décadas. Ele ressalta que a redução de investimentos em novas refinarias após a Operação Lava Jato interrompeu planos estratégicos da estatal, comprometendo a segurança energética do país.
Apesar da pressão nos preços e da restrição na demanda a curto prazo devido ao conflito, Gabrielli enfatiza que a construção de novas refinarias leva tempo e a substituição imediata do petróleo é inviável. Ele também destaca que a transição energética pode ser impulsionada por crises como a atual, mas prescindir do combustível fóssil nesse momento é considerado insensato.

