A construção civil, mesmo com o mercado de trabalho em níveis historicamente positivos e renda em alta, passou por 2025 enfrentando forte pressão devido a juros elevados e custos crescentes de mão de obra e insumos. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) destacou que o setor, embora resiliente, opera em um ambiente econômico desafiador, mas espera um crescimento de 2% para 2026, impulsionado por crédito e investimentos em infraestrutura.
O setor, que é um dos principais motores do PIB brasileiro, cresceu 1,3% em 2025. A economista chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, informou que o PIB do país cresceu 2,4% até o terceiro trimestre, mantendo essa taxa para o ano, impulsionado pela menor taxa de desemprego desde 2012, que ficou em 5,1%. Apesar desse cenário positivo, a construção civil avançou de maneira mais moderada devido à pressão dos juros e custos.
Os custos de construção subiram 5,9% em 2025, superando a inflação oficial de 4,26%, com a mão de obra apresentando um aumento de 8,98%. O número de trabalhadores com carteira assinada na construção cresceu 3,08%, alcançando 2,9 milhões, um nível semelhante ao de 2014. Além disso, insumos como cimento e fio de cobre contribuíram para o aumento dos custos, com variações regionais significativas.
A região Sul teve os maiores aumentos, com o preço do cimento subindo 8,4% e o fio de cobre 19,5%. No Nordeste, o cimento também foi uma preocupação, com alta de 11,9%. Em contraste, o Norte e o Centro-Oeste apresentaram cenários mais favoráveis, com quedas nos preços do cimento e fio de cobre, e o ferro acumulou recuo em todas as regiões, especialmente no Norte, onde a retração chegou a 18,59%.

