O Governo Federal, sob a gestão do presidente Lula, recorreu a uma operadora de turismo para garantir a hospedagem das delegações durante a COP30, evento programado para novembro de 2025 em Belém (PA). A iniciativa incluiu a locação de navios de cruzeiro e foi intermediada por uma empresa associada a Marcelo Cohen, que possui conexões com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações foram divulgadas em 22 de novembro de 2023.
Documentos obtidos pela Casa Civil indicam que a Embratur foi a responsável pela contratação da Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda. A empresa assumiu a função de mediar acordos com as companhias marítimas encarregadas de fornecer as embarcações para o evento. A estruturação do processo foi coordenada pela Secretaria Extraordinária para a COP30, que atua sob a alçada da Casa Civil.
A relação entre Cohen e Vorcaro estende-se além do setor hoteleiro. Cohen é proprietário do hotel de luxo Botanique, situado em Campos do Jordão (SP), o qual é frequentemente associado a Vorcaro, que alega que o hotel faz parte do portfólio da empresa Prime You. Contudo, a ligação entre os dois vai além desse empreendimento.
A Qualitours faz parte da holding BeFly, criada em 2021, com o suporte financeiro de fundos vinculados ao Banco Master. Informações adicionais indicam que Cohen utilizou recursos provenientes de fundos associados ao Banco Master, como B10 e TT, para expandir sua holding, adquirindo empresas consagradas no setor, como a Flytour e a Queensberry. Um relatório de inteligência financeira revelou uma transação em dinheiro de R$ 6 milhões entre o banco e uma empresa de Cohen, ocorrida em novembro de 2024.
Em resposta às informações sobre a contratação, a Embratur afirmou que a escolha da Qualitours ocorreu por meio de um chamamento público, no qual a empresa apresentou todos os documentos necessários para comprovar sua idoneidade e capacidade de execução do contrato. A estrutura financeira da operação foi garantida por meio de uma carta fiança emitida pelo banco BTG Pactual, e não houve participação do Banco Master na contratação dos navios.
O contrato firmado entre a Embratur e a Qualitours já passou por auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que, em decisão unânime, considerou a contratação regular. No acórdão 756/2026, o TCU atestou a plausibilidade das fundamentações técnicas e jurídicas que sustentaram a decisão, além de confirmar que o modelo adotado se mostrou economicamente mais vantajoso em comparação com outras alternativas de afretamento direto.

