O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, estabelecendo-a em 14,5%. Essa decisão ocorre em um contexto de preocupação com a inflação, especialmente devido ao recente conflito no Oriente Médio, que pode impactar os preços no curto prazo. O Banco Central projeta que, até o quarto trimestre de 2027, a inflação deve recuar para 3,5%, à medida que os efeitos do choque externo se dissipam.
Entretanto, a situação atual evidencia os limites da política monetária. Segundo Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, a inflação no Brasil é influenciada por diversos fatores e a manutenção de taxas elevadas não é suficiente para conter aumentos nos preços dos combustíveis. Ele salienta que não faz sentido manter a taxa de juros em níveis tão altos, como 14% ou 15%, uma vez que a atividade econômica já apresenta sinais de desaceleração, caindo de 3,7% no ano passado para cerca de 2% atualmente.
A análise de economistas como Caio Megale, da XP, aponta que o Comunicado do Copom indica uma calibração mais lenta e cuidadosa da política monetária, pois o cenário inflacionário pode se agravar nos próximos meses. O impacto das taxas de juros elevadas tem gerado preocupações entre representantes do setor, que percebem uma ameaça à saúde financeira das empresas.
Sartori adverte que a situação é crítica, considerando que muitas empresas convivem com taxas de 15% por mais de um ano, o que exige cautela para evitar uma crise financeira. Ele sugere que cortes graduais na taxa de juros são fundamentais para oferecer um alívio no fluxo de caixa das empresas.
Essa perspectiva é corroborada por João Kepler, CEO da Equity Group, que acredita que a redução dos juros é um sinal de que o ciclo restritivo pode se prolongar, mantendo a rentabilidade interna atrativa. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, e Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, também preveem cortes de 0,25 p.p. dependendo dos dados futuros.
Por outro lado, Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, sugere um corte mais agressivo de 0,50 p.p. em junho, com a expectativa de que as tensões no Oriente Médio sejam amenizadas devido ao calendário eleitoral nos EUA. Megale, da XP, também aponta para cortes de 0,50 p.p. nas reuniões de junho e agosto, caso as tensões geopolíticas diminuam e o preço do petróleo se estabilize entre US$ 80 e US$ 90.

