Nesta segunda-feira, 18, os jornais O Estado de S. Paulo e O Globo publicaram editoriais que criticam veementemente a política econômica adotada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. As análises revelam que o Palácio do Planalto está gastando de forma desenfreada, numa tentativa de recuperar a popularidade e assegurar a reeleição do presidente.
De acordo com levantamento do banco BTG Pactual, as dez medidas implementadas nos últimos dois anos já custaram R$ 140 bilhões aos cofres públicos. Os jornais alertam que essa abordagem poderá resultar em um aumento da inflação e na manutenção de taxas de juros elevadas. Os editoriais destacam que o governo pode estar criando uma “herança maldita” que prejudicará, no futuro, os eleitores mais vulneráveis.
O Estadão enfatizou o risco associado ao uso constante de manobras parafiscais pelo governo. Tais estratégias possibilitam a injeção de recursos na economia por meio de fundos, bancos públicos e estatais, sem a necessidade de aprovação do Congresso Nacional ou de espaço no Orçamento Geral da União. O jornal classificou essa prática como demagógica, citando iniciativas como o novo Desenrola e as linhas de crédito Move Brasil, administradas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O Globo, por sua vez, acusou o governo de tentar driblar deliberadamente a Lei de Responsabilidade Fiscal. O veículo criticou a intenção de utilizar receitas adicionais provenientes da venda de petróleo, inflacionadas pela guerra no Oriente Médio, para cobrir déficits criados por subsídios aos combustíveis. O editorial argumenta que essa receita deveria ser utilizada para reduzir a dívida pública, e não para financiar programas voltados para o pleito eleitoral.
Os editoriais também questionaram o público-alvo das medidas anunciadas. O governo ampliou o programa Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda de até R$ 13 mil e eliminou a chamada "taxa das blusinhas" sobre importações de até US$ 50. Ambas as publicações concordam que essas decisões visam a classe média, que tem visto uma queda na aprovação do presidente nas pesquisas de opinião.
O Globo ainda considerou a ajuda de R$ 0,89 por litro na gasolina como uma medida injusta, uma vez que beneficia tanto ricos quanto pobres sem distinções. O jornal destacou que o plano de subsidiar veículos para taxistas e motoristas de aplicativo é semelhante aos auxílios concedidos por Jair Bolsonaro em períodos eleitorais anteriores. Ambos os jornais concluem que a conta do crescimento econômico artificial será cobrada sob a forma de endividamento crônico e aumento nos preços dos alimentos.

