O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reafirmou a disposição do país para dialogar com os Estados Unidos, mesmo diante do agravamento das sanções impostas e das ameaças de Donald Trump. Durante uma conversa com o jornalista Breno Altman, Díaz-Canel enfatizou que qualquer diálogo deve ocorrer com respeito à soberania e ao sistema político cubano. Ele declarou: "Cuba sempre teve disposição histórica para dialogar com o governo dos Estados Unidos, desde que isso ocorra com respeito ao nosso sistema político, à nossa soberania e à nossa independência, sem imposições e em condições de igualdade".
O líder cubano também afirmou: "Não promovemos a guerra, não a estimulamos, mas não a tememos se for necessário defender a Revolução, a soberania e a independência do país". Recentemente, autoridades cubanas confirmaram que houve encontros entre representantes dos dois países, mas Díaz-Canel destacou que as tratativas ainda estão em fase inicial.
Desde janeiro, a administração de Donald Trump intensificou a pressão sobre Cuba, exigindo mudanças e restrições nas importações de petróleo, o que tem contribuído para uma crise de energia na ilha. O presidente cubano mencionou que as dificuldades impostas pelo bloqueio afetam diretamente a vida cotidiana dos cubanos, particularmente no que diz respeito ao fornecimento de energia elétrica.
Díaz-Canel relatou que em algumas comunidades, os apagões têm durado até 30 horas, afetando o funcionamento de escolas, hospitais e serviços essenciais. Ele destacou que atualmente há uma lista de mais de 96 mil pessoas aguardando procedimentos médicos, incluindo mais de 11 mil crianças.
O apoio internacional tem sido fundamental para Cuba enfrentar as restrições. O presidente mencionou a importância das alianças estratégicas com países como China, Colômbia, México e Rússia, que têm enviado alimentos e insumos, além do suporte do governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e de movimentos sociais como o MST. "Recebemos apoio tanto do governo quanto do povo brasileiro e de seus movimentos sociais", afirmou Díaz-Canel.
Diante desse cenário, o presidente cubano ressaltou que o país continua buscando alternativas para minimizar os impactos do bloqueio, contando com a solidariedade de organizações internacionais que têm realizado doações e ações para amenizar as dificuldades enfrentadas pela população cubana.

