A vida cotidiana em Havana está sendo afetada de forma sem precedentes pela crise de combustíveis. O valor do litro da gasolina chegou a US$ 9, cerca de sete vezes mais caro que no Brasil. Encher o tanque de um carro popular demanda quase US$ 500, equivalente a mais de três anos de salário de um médico em Cuba.
Com a escassez, as ruas da capital cubana tornaram-se cenário para multidões de pedestres. A crise de abastecimento se intensificou desde janeiro, quando o governo norte-americano proibiu a entrada de petróleo na ilha. Além disso, a desvalorização da moeda e a inflação de alimentos agravaram o cenário.
A situação tornou produtos básicos inacessíveis para quem não recebe remessas do exterior ou ganha em dólar com o turismo. Bodegas e minimercados oficiais, que vendem com preços subsidiados e racionamento, quase sempre apresentam prateleiras vazias. Na semana passada, o ditador Miguel Díaz-Canel orientou os cubanos a adaptarem a alimentação à nova realidade.
A escassez de alimentos, remédios e dinheiro não é novidade na ilha. A atual conjuntura, agravada pelo fim do fluxo intenso de turistas depois da pandemia, acelerou as perdas econômicas. Dados do Ministério da Agricultura cubano apontam quedas expressivas de 2018 a 2023.

