A recente operação da Polícia Federal (PF) que colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA) no centro de investigações relacionadas a um suposto esquema de propinas envolvendo o Banco Master não gerou mudanças na avaliação da liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia sobre o cenário político de 2026. Fontes ligadas ao PT baiano afirmam que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) está 'blindado' e não deve enfrentar desgaste político em função do avanço das investigações.
De acordo com dirigentes da legenda, apesar de sua proximidade com Jaques Wagner e o ex-ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, Jerônimo tomou medidas para se distanciar de qualquer ligação com pessoas e interesses associados ao Banco Master logo no começo de sua gestão. O governador, que assumiu o cargo em janeiro de 2023, é pré-candidato à reeleição e sucede outros dois petistas que ocuparam o posto: Rui Costa, que governou de 2015 a 2022, e Jaques Wagner, no período de 2007 a 2014.
Reservadamente, os líderes do PT sustentam que a investigação se concentra em eventos que ocorreram antes do início da administração de Jerônimo. A percepção predominante é de que o governador não é o alvo das apurações e que as consequências da Operação Compliance Zero devem se restringir aos investigados.
Entretanto, a operação também atinge um membro do primeiro escalão do governo baiano. A PF está investigando o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner, por suspeitas de intermediar o pagamento de propinas relacionadas ao Banco Master. Segundo a PF, esses valores teriam sido transferidos através da BN Financeira, empresa da esposa do secretário, Bonnie Bonilha.
Apesar das implicações, interlocutores do PT afirmam que a investigação não representa uma ameaça política para Jerônimo Rodrigues. Essa análise ocorre em um momento em que a PF também investiga Jaques Wagner, que é líder do governo Lula no Senado, por suspeitas de ter recebido vantagens indevidas para favorecer os interesses do Banco Master no Congresso Nacional, além de suas conexões com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

