Em fevereiro de 2022, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recebeu uma denúncia anônima que alegava a existência de um esquema de manipulação contábil no Banco Master. Contudo, a autarquia decidiu arquivar o caso por considerar o relato "inverossímil", conforme apuração do portal UOL. A denúncia mencionava que o banco utilizava ativos de baixa liquidez e fundos de investimento para ocultar prejuízos e inflar seus balanços de maneira artificial.
O documento também indicava que a instituição dependia da captação de novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para cumprir com os resgates, comparando sua operação a um "esquema pirâmide". Três anos e nove meses após a denúncia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, resultando em um desembolso de R$ 57 bilhões pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir os prejuízos.
Na denúncia, os empresários Augusto Lima e Nelson Tanure foram citados como sócios ocultos do banco. Atualmente, Tanure enfrenta investigações pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) relacionadas a essas suspeitas, embora sua defesa negue qualquer irregularidade. O documento também mencionava Daniel Vorcaro, que ocupava a presidência do Banco Master na época.
No momento em que a CVM recebeu a denúncia, já havia 56 processos em andamento envolvendo o grupo Master e entidades associadas. Desde 2017, a autarquia havia encaminhado 13 comunicações a órgãos de controle, incluindo o Ministério Público Federal (MPF) e o Banco Central.
Em 2026, a CVM instituiu um grupo de trabalho com a finalidade de revisar suas ações em relação ao caso do Banco Master. Um relatório interno elaborado pelo colegiado reconheceu que os principais fatos apresentados na denúncia acabaram se confirmando. Além disso, o documento apontou que o arquivamento do caso, sem qualquer investigação, é um procedimento que requer reavaliação.
A Corregedoria da CVM também começou a examinar a decisão que levou ao encerramento do caso em 2022.

