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Debate sobre o uso de IA para recriar celebridades falecidas ganha força

A publicação de um vídeo que evita a morte de celebridades como Marília Mendonça e Paulo Gustavo reacende discussões sobre ética e homenagem em relação ao uso da Inteligência Artificial. Enquanto alguns veem isso como forma de preservar a memória, outros criticam a falta de consentimento.

Um criador de conteúdo que utiliza Inteligência Artificial para simular situações envolvendo celebridades gerou polêmica nas redes sociais ao publicar um vídeo que impede mortes de figuras conhecidas como Marília Mendonça, Domingos Montagner, Chorão, Ayrton Senna e Paulo Gustavo. No vídeo, disponibilizado pelo perfil Nerd Soul AI, a cantora Marília Mendonça é impedida de embarcar no avião que sofreu um acidente em 2021, enquanto Domingos Montagner é retirado do Rio São Francisco antes de seu trágico afogamento. A montagem também retrata Chorão afastado do uso de drogas e Ayrton Senna com a corrida interrompida antes do fatídico acidente em Ímola.

O trecho que envolve Paulo Gustavo gerou a maior repercussão negativa, uma vez que no vídeo ele aparece recebendo uma máscara de proteção contra a Covid-19. Essa representação foi criticada por internautas, que consideraram que a cena poderia sugerir, de maneira errada, que o humorista não teria tomado as precauções necessárias contra a doença. Essa não é a primeira vez que conteúdos que recriam a imagem de famosos falecidos com Inteligência Artificial circulam nas redes, levantando debates acerca de memória, homenagem e limites éticos.

Durante a Copa do Mundo deste ano, por exemplo, foram criados conteúdos que mostravam artistas como Silvio Santos e Gugu Liberato assistindo a partidas da Seleção Brasileira. Além disso, outras publicações apresentavam celebridades diante de suas lápides ou participando de eventos como se ainda estivessem vivos, o que intensificou a discussão sobre o tema.

As opiniões sobre esses vídeos variam. Enquanto algumas famílias preferem não comentar a respeito, outras enxergam o uso da Inteligência Artificial como uma forma de homenagem. Cizinato Diniz, pai do cantor Gabriel Diniz, que faleceu em 2019 em um acidente aéreo, acredita que esses vídeos ajudam a manter viva a memória do filho. Para ele, a recriação é uma manifestação de carinho das pessoas que desejam homenageá-lo.

Entretanto, questões legais e éticas surgem em relação ao uso da imagem de pessoas falecidas. Yasmin Arrighi, advogada especializada em direito autoral e propriedade intelectual, destaca que o principal desafio reside na falta de consentimento das pessoas retratadas que já faleceram. Ferramentas comerciais, quando utilizadas de forma responsável, exigem autorização verbal e verificação da identidade da pessoa viva que cede sua imagem. A problemática se intensifica quando esse controle não está presente.

Além das implicações legais, especialistas alertam sobre o avanço das tecnologias e o grau de realismo que essas ferramentas podem alcançar. Leonardo Soares, especialista em Inteligência Artificial, ressalta que já é possível criar imagens, vozes e expressões que se assemelham muito às de uma pessoa real. Com essa capacidade, aumenta o risco de desinformação, fraudes e manipulação da opinião pública, além de impactos emocionais sobre os familiares e fãs dos homenageados.

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