Nas últimas quatro décadas, o Brasil tem enfrentado um empobrecimento em comparação ao restante do mundo. Entre 1980 e 2025, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) per capita global cresceu 675%, o índice nacional avançou apenas 428%. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que a riqueza média por habitante no Brasil tem ficado abaixo da média mundial desde 2015.
A disparidade aumentou quando o modelo de crescimento brasileiro se esgotou. Caso o Brasil tivesse mantido o mesmo ritmo de crescimento de nações como a Coreia do Sul e a Romênia, a renda média do cidadão brasileiro seria US$ 13,4 mil maior atualmente. Dessa forma, o brasileiro médio desfrutaria de uma renda anual de US$ 31,9 mil, em vez dos US$ 18,4 mil registrados pela Penn World Table.
Especialistas apontam que a economia brasileira passou por uma quebra significativa em 1981, quando o país deixou para trás o crescimento robusto das décadas anteriores e entrou em um período de instabilidade. Os anos 1980 foram marcados por calotes e inflação descontrolada. O Plano Real, implementado em 1994, estabilizou os preços, mas não foi suficiente para recuperar a velocidade de crescimento em relação ao cenário global.
A atual estagnação econômica do Brasil é atribuída à baixa produtividade e à escassez de investimentos. O país não tem conseguido integrar-se adequadamente aos mercados internacionais e enfrenta um ambiente de negócios oneroso. Além disso, a qualificação da mão de obra não avançou, o que afeta diretamente o setor de serviços, que representa 70% dos empregos no país.
Na contramão de países que conseguiram superar a armadilha da renda média investindo em inovação e instituições sólidas, o Brasil tem seguido um caminho oposto. O governo implementou políticas de proteção a setores ineficientes, como a indústria naval, o que resultou em um isolamento do mercado interno e afastamento das cadeias produtivas globais.
A abertura comercial dos anos 1990 não foi mantida, e o Brasil perdeu o auge da globalização, apresentando dificuldades em adotar novas tecnologias. Sem reformas significativas na educação e na infraestrutura, o país corre o risco de também ficar para trás na corrida da inteligência artificial.

