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Desperdício de R$ 260 milhões na compra de Coronavac é atribuído à lentidão do governo Lula

Uma auditoria do TCU aponta que a demora de sete meses na aquisição de vacinas resultou em prejuízo significativo. Apenas 260 mil das 2 milhões de doses enviadas foram aplicadas, enquanto 97% acabaram descartadas.

O Ministério da Saúde enfrentou sérios problemas em sua atuação na compra de vacinas, resultando em um desperdício estimado em pelo menos R$ 260 milhões. Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que a demora de sete meses para a finalização do contrato foi a principal razão para a perda dos imunizantes. Durante esse período, 8 milhões de doses da Coronavac foram inutilizadas após vencerem e serem incineradas, conforme apuração de uma publicação.

As vacinas foram recebidas pelo governo em outubro de 2023, embora a produção tenha ocorrido em março do mesmo ano. O Instituto Butantan havia alertado oficialmente o Ministério da Saúde sobre o risco de perda da validade logo que as negociações foram interrompidas entre fevereiro e setembro. Técnicos do TCU ressaltaram que a pasta assumiu um risco significativo ao aceitar produtos com prazos curtos e sem a possibilidade de troca.

O prejuízo financeiro pode ser ainda maior, com estimativas que apontam para um impacto total nos cofres públicos de aproximadamente R$ 330 milhões, que corresponde ao valor integral do contrato. Dados coletados das secretarias estaduais de saúde indicam que, dentre as 2 milhões de doses enviadas aos estados, apenas 260 mil foram efetivamente aplicadas. No pior cenário considerado pelos especialistas, 97% de toda a compra foi para o lixo.

Além disso, o Ministério da Saúde isentou o Butantan da responsabilidade de substituir vacinas que apresentavam validade inferior ao estipulado no contrato, pouco antes da entrega. A postura da pasta foi considerada irregular pelo TCU, que destacou a necessidade de cautela em um momento em que a utilização da Coronavac no Sistema Único de Saúde (SUS) era baixa. O tribunal também está cobrando explicações de dois ex-diretores da área de compras do governo federal.

A atual gestão do Ministério da Saúde atribui a responsabilidade pelo descarte à administração anterior de Jair Bolsonaro. Em uma nota oficial, o ministério afirmou que encontrou estoques abandonados e que seguiu as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). O governo ainda defendeu que todos os trâmites administrativos foram respeitados, destacando a incerteza do cenário mundial de variantes de doenças no início do seu mandato.

O ministro Bruno Dantas, responsável pela relatoria do processo no TCU, decidiu aprofundar a investigação contra subordinados da pasta, porém, não incluiu a ex-ministra Nísia Trindade, por não haver evidências da participação dela no atraso. Os ministros do tribunal continuam a investigação para identificar os responsáveis pelo desperdício significativo de recursos públicos.

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