O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) declarou nesta manhã (03) que a renovação do PT é urgente e que a composição do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve refletir as forças políticas que garantiram a reeleição do presidente. Em entrevista, Dirceu afirmou que a vitória eleitoral não pertence ao PT e que o partido precisa tirar consequências disso.
Segundo o ex-ministro, é necessário fazer quase uma reconstrução da legenda e dialogar com Psol, Rede, PDT e PSB para construir uma força mais orgânica. Ele também defendeu que Lula aproveite o novo mandato para articular um pacto político e aprovar reformas tributária, financeira, política e do Judiciário, afirmando que o presidente tem autoridade para liderar esse processo.
Sobre a reorganização interna do PT, Dirceu disse que o Nordeste deverá ampliar sua representação. Embora a direção do partido só seja renovada em 2029, haverá um congresso e uma discussão sobre o estatuto para adaptar a legenda à nova realidade. Ele pregou mais democratização, melhoria da formação política e atuação nas redes.
Dirceu também defendeu aproximação com outras forças de esquerda, com jovens que votaram em Flávio Bolsonaro (PL) e com evangélicos. Segundo ele, é preciso compreender melhor os setores insatisfeitos com a esquerda e superar a ideia de que o PT é antievangélico, sem preconceito de que os evangélicos são bolsonaristas.
Ainda na entrevista, o ex-ministro comentou a sucessão de Lula, que completou 81 anos na semana passada. Para Dirceu, o próximo líder do campo governista terá de demonstrar capacidade de liderança na prática e citou Fernando Haddad como exemplo de liderança em ascensão, destacando sua atuação como ministro da Fazenda e da Educação. Ele afirmou que os próximos líderes surgirão na construção do país, do próprio PT e da luta democrática, e que a direita já tem nomes enfileirados.

