Médicos iranianos foram impedidos pela ditadura de tratar manifestantes presos e feridos, segundo denúncia da organização não governamental (ONG) Irã Direitos Humanos (IDH). O relato reúne casos ocorridos na Penitenciária Central de Shiraz, localizada a cerca de 300 quilômetros do litoral do Golfo Pérsico.
De acordo com a ONG, ao menos um médico foi preso depois de insistir em prestar atendimento a detentos feridos, com o objetivo de evitar mortes por hemorragia dentro da penitenciária. Fontes ouvidas pela IDH relataram a detenção de vários adolescentes durante a repressão aos protestos.
Entre os prisioneiros está Hossein Ahmadzadeh, cujo estado físico foi descrito como chocante. Ele perdeu os dois olhos e seu crânio está coberto por marcas de balas de borracha. Além disso, também foram citados os casos de Kourosh Fatemi e Omid Farahanim, ambos de 16 anos, que foram baleados na região lombar e ficaram paralíticos.
A prisão está sob regime de emergência há quatro dias. Os presos estão privados de saídas ao ar livre e todas as linhas telefônicas e visitas foram suspensas. A população iraniana passou a sair às ruas em protesto contra o aumento do custo de vida no país, mas as reivindicações deixaram de se limitar a questões econômicas e passaram a exigir a queda do próprio regime: a ditadura islâmica que governa o Irã há quase meio século.


