O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, 3, que a saída do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do país foi "exitosa". A declaração foi dada em uma transmissão de aproximadamente 50 minutos no canal de Eduardo no YouTube, a primeira desde que Flávio foi para os Estados Unidos.
Na live, Eduardo disse ver "indícios de fraude" no segundo turno da eleição presidencial, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. "Por que eu falo indícios de fraude e não fraude? Porque mais uma vez o sistema foi desenhado para que as urnas não fossem auditadas", explicou. Ele criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender em duas horas o horário de votação, a pedido da campanha de Lula.
O ex-deputado citou projeções de plataformas de previsão, como a Polymarket, que apontava 87,7% de chance de vitória a Flávio, e afirmou que o cenário se inverteu quando a prorrogação foi anunciada. "Quando saiu a notícia do Zanin botando duas horas a mais de votação, o mercado precificou essa informação nova", pontuou. Ele comparou a medida à eleição da Venezuela de 2015, quando o órgão eleitoral também ampliou o horário de votação, e exibiu um áudio no qual sindicalistas combinam a colagem de adesivos nos ônibus de Salvador. "Parece jogo combinado ou não parece?", questionou.
Eduardo mencionou ainda as 106 urnas em que Flávio não recebeu votos e Lula somou quase 15 mil. "Qual é a chance do Flávio ter zero votos?", perguntou. Na mesma linha, criticou o fato de o TSE organizar e julgar as eleições. "É claro que, se ele [o TSE] organiza a eleição e julga todos os conflitos relativos à eleição, ele nunca vai dar uma decisão declarando-se culpado daquilo que ele organizou", afirmou.
Sobre a saída de Flávio, Eduardo comentou que a Polícia Federal pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a apreensão do passaporte do senador sete minutos depois de o TSE confirmar o resultado. Para ele, a ordem para que Flávio entregasse o documento em 24 horas foi um erro de cálculo dos adversários. "Foram com muita sede ao pote, os cachorrinhos do Moraes", disse. "E aí deram a chance do Flávio sair do país." Segundo Eduardo, enquanto a imprensa noticiava a chegada de Flávio aos EUA, o senador ainda se deslocava para deixar o Brasil pela Argentina, e o avião que pousou em Puerto Iguazú, na fronteira, chegou a ser tratado por jornalistas como despiste, mas era o que levou o irmão. Ele agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, e exibiu o trecho em que o republicano diz que Flávio pode ficar no país pelo tempo que quiser. A Casa Branca concedeu ao irmão e à família um ano de permanência por razões humanitárias, prazo que considerou "confortável" para Flávio decidir os próximos passos. Eduardo também tratou das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, na qual o Partido Democrata venceu por maioria, e afirmou que o resultado não ameaça a permanência do irmão. "O Congresso não revoga vistos", disse. "O Congresso não tem a capacidade de expulsar ninguém do país." Por fim, previu uma crise econômica no novo mandato de Lula e defendeu o impeachment do presidente, lembrando que a queda de popularidade aliada à crise levou ao afastamento de Fernando Collor e Dilma Rousseff. "Talvez seja menos trabalhoso até do que a Dilma, porque a gente tem mais parlamentares à direita", afirmou. "É menos gente para convencer, para pressionar."

