A comédia Elas São de Matar, que está sendo apresentada no Teatro Mooca, localizado em São Paulo, até o dia 27 de junho, passou por importantes alterações em seu texto. Durante o processo de construção da nova montagem, as atrizes Angela Dippe, Nany People, Michele Muniz e Carolina Stofella participaram ativamente, sugerindo modificações ao diretor Dan Rosseto. Angela comentou que o letramento feminista permeou todo o texto, refletindo uma atualização necessária para os dias atuais.
Michele Muniz, que também é produtora do espetáculo, explicou que as mudanças surgiram a partir de diálogos entre o elenco e a direção. Essa interação permitiu que as atrizes contribuíssem com suas próprias experiências e visões sobre suas personagens, enriquecendo a narrativa da peça. Uma das alterações mais significativas envolveu a personagem Agnes, interpretada por Nany People, que não concordou com o final originalmente escrito e insistiu em uma modificação.
"Eu briguei muito. Briguei até o fundo para mudar o meu final. O personagem no final terminava falando para o marido: 'eu te amo, eu te amo demais'. O que é isso? Como ama?", relatou Nany sobre sua luta para alterar o desfecho da personagem.
Angela Dippe também comentou sobre a reestreia da peça, afirmando que o letramento feminista foi um elemento constante nas discussões durante o processo de montagem. Para Carolina Stofella, esse trabalho colaborativo foi marcado por uma escuta ativa entre o elenco e a direção, proporcionando liberdade para que as atrizes apresentassem suas sugestões e visões sobre suas personagens.
Além das questões profissionais, a amizade entre as atrizes é um aspecto fundamental em suas vidas. Nany, Angela, Michele e Carolina compartilham laços que se formaram em diferentes momentos, desde a escola até o meio artístico. A peça, portanto, também aborda a força das relações femininas como um dos seus temas centrais.
Com uma abordagem cômica, Elas São de Matar mistura suspense e reviravoltas enquanto discute temas sérios como golpistas, etarismo e relações tóxicas de forma leve. No final, o que se destaca é a importância da amizade e a força das mulheres. Para Nany, a responsabilidade por essa leveza é atribuída a Dan Rosseto, que conseguiu tratar de assuntos contemporâneos de maneira divertida.

