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Eleições de 2026 revelam desconexão entre Bolsa Família e escolha política no Senado

Os resultados das eleições para o Senado em 2026 evidenciam uma desconexão entre o número de beneficiários do Bolsa Família e a preferência política dos eleitores. Apenas a Bahia elegeu senadores do PT em um cenário onde a esquerda não dominou as urnas.

As eleições para o Senado de 2026 demonstraram uma discrepância significativa entre a presença do Bolsa Família e os resultados eleitorais nas regiões onde o programa social é mais forte. Dos nove estados que possuem um número de famílias beneficiárias superior ao de trabalhadores com carteira assinada, a Bahia foi a única a eleger dois senadores do PT, Rui Costa e Jaques Wagner. As 18 cadeiras em disputa foram divididas entre partidos de diversas orientações políticas, incluindo esquerda, centro e direita.

O estudo realizado pelo Poder360 analisou estados como Maranhão, Pará, Piauí, Bahia, Paraíba, Amazonas, Alagoas, Acre e Amapá, onde a comparação entre beneficiários do Bolsa Família e empregos formais evidencia uma realidade complexa. Em fevereiro, 18,8 milhões de famílias estavam cadastradas no programa, enquanto 48,8 milhões de pessoas contavam com empregos formais no Brasil.

Os resultados das urnas ressaltaram a desconexão entre a dependência do Bolsa Família e a escolha política dos eleitores. No Maranhão, que lidera a lista de dependência do programa, as cadeiras foram ocupadas por André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo). No Acre, as vitórias foram de Marcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos). Já Em Alagoas, Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB) foram os eleitos.

O mesmo padrão foi observado em outros estados. No Pará, Helder Barbalho (MDB) e Chicão (União Brasil) foram escolhidos, enquanto No Piauí, Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) saíram vitoriosos. Na Paraíba, as cadeiras foram para João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB). O Amazonas elegeu Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB), e No Amapá, Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD) conquistaram as vagas.

Essa distribuição evidencia que a presença de programas sociais como o Bolsa Família não resultou em uma maioria automática dos candidatos de esquerda No Senado. Dentre os 18 senadores eleitos nos nove estados analisados, apenas dois pertencem ao PT. A resistência à esquerda se mostra também nas disputas pelo governo nos mesmos estados, onde a preferência política não se alinha com a dependência do programa de transferência de renda.

Ainda que a Bahia represente uma exceção, com dois senadores do PT e um governador da mesma legenda, os demais estados demonstraram uma escolha diversificada, com predominância de partidos do centro, centro-direita e direita. Essa situação não implica que o Bolsa Família tenha deixado de influenciar o voto, uma vez que pesquisas mostram que beneficiários do programa ainda têm uma forte preferência por Lula nas eleições presidenciais.

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