O legado de Moraes Moreira é celebrado no Teatro Nacional Cláudio Santoro, onde o espetáculo Moraes Musical Moreira está em cartaz. A montagem, que ficará em Brasília até o dia 26 de setembro, foi apresentada em uma coletiva de imprensa no dia 23 de setembro, onde o elenco e a equipe criativa discutiram suas abordagens na construção do espetáculo.
Diferente de uma narrativa biográfica tradicional, o musical utiliza a obra de Moraes como ponto de partida para explorar sua formação musical e as influências que marcaram sua trajetória. No palco, os atores Cris Meirelles e Rodrigo Sestrem interpretam diferentes fases da vida do artista, com Cris representando sua juventude e Rodrigo trazendo à cena uma fase mais madura, caracterizada pela ligação com o cordel.
Cris Meirelles destacou que a escolha dessa abordagem permite uma imersão na formação musical de Moraes ao longo de sua vida. Ele enfatizou que a dramaturgia não segue uma linha cronológica, mas sim se concentra na obra e no processo de formação do artista. A diversidade presente na música de Moraes, que abrange desde sucessos românticos até hits de Carnaval, foi um ponto que chamou a atenção de Cris durante os ensaios.
A montagem busca criar uma sinergia entre as interpretações dos dois atores, evitando a formação de dois personagens distintos. Cris explicou que o objetivo era que, ao final do espetáculo, ambos se unissem em um único personagem, refletindo a essência de Moraes. Rodrigo Sestrem, por sua vez, encontrou no cordel uma conexão forte com o personagem, ressaltando a importância de explorar não apenas as canções, mas também textos e elementos da obra de Moraes que foram coletados durante a pesquisa.
A liberdade criativa da dramaturgia também permitiu a inclusão de encontros fictícios com figuras importantes na formação musical de Moraes, como Assis Valente e Luiz Gonzaga. Essa abordagem ampliou o alcance do espetáculo, atraindo diferentes gerações ao público. Durante a temporada no Teatro Castro Alves, em Salvador, a plateia foi composta por pessoas que conheceram Moraes em vida e por jovens que tiveram acesso à sua obra através de suas famílias.
A diretora do musical destacou a diversidade do público, que incluía tanto os mais velhos quanto as novas gerações, reforçando a ideia de uma memória coletiva ativa e a importância da transmissão cultural entre as gerações.

