Na década de 1990, vestígios de cocaína, nicotina e cannabis encontrados em múmias do Egito Antigo despertaram debates na arqueologia. A descoberta sugere que essas substâncias poderiam ter sido utilizadas antes de qualquer contato conhecido entre o Velho e o Novo Mundo. A presença de compostos típicos da América do Sul em corpos egípcios levanta questionamentos sobre suas origens.
Um estudo de 1992, conduzido pela toxicologista Svetlana Balabanova e sua equipe, analisou múmias datadas entre 1070 a.C. e 395 d.C. Os pesquisadores encontraram traços de cannabis, nicotina em muitas amostras e evidências de cocaína em algumas. Esses resultados geraram repercussão, mas também desconfiança na comunidade científica.
Com o aumento das críticas, surgiram várias hipóteses. Uma das mais ousadas sugere que os egípcios poderiam ter realizado viagens transatlânticas e estabelecido contato com povos sul-americanos, embora essa ideia contrarie o conhecimento histórico e não tenha evidências arqueológicas que a sustentem. Outras análises independentes confirmaram apenas a presença ocasional de nicotina, sem evidências de cocaína ou THC.
A contaminação posterior das amostras é uma explicação considerada plausível para os resultados iniciais. Estudos indicam que substâncias como a cocaína podem aderir ao cabelo e ser detectáveis mesmo após processos de limpeza. Problemas nos procedimentos da equipe original, como a falta de controles rigorosos e métodos analíticos limitados, também são apontados como fatores que podem ter comprometido os resultados.

