O canibalismo é um comportamento comum no reino animal, incluindo nas cobras, onde suas razões podem variar conforme a espécie. Um estudo brasileiro, publicado na Biological Reviews, analisou 503 eventos de canibalismo em 207 espécies de serpentes, buscando entender as causas e a frequência desse comportamento.
Os resultados mostraram que as famílias Colubridae, Viperidae e Elapidae apresentaram os maiores índices de canibalismo, com 29%, 21% e 18,9%, respectivamente. Ademais, os eventos ocorreram com mais frequência em cativeiro (43%) do que na natureza (27%). O canibalismo nas cobras não é considerado um ato aleatório, pois geralmente envolve a prioridade de cobras maiores consumirem aquelas de tamanho menor.
Além do simples oportunismo, foram identificados tipos específicos de canibalismo: canibalismo materno, onde a fêmea consome ovos ou filhotes; canibalismo entre filhotes, que ocorre para reduzir a competição por recursos; e um raro canibalismo sexual, onde um parceiro se alimenta do outro durante ou após a cópula.
Dentre as espécies, as jiboias-vermelhas tendem a consumir suas crias doentes para proteger os saudáveis, enquanto as sucuris-verdes demonstram uma propensão ao canibalismo sexual devido à copulação com múltiplos machos, que são geralmente menores e acabam sendo devorados para repor energias.

