O agronegócio brasileiro entrou oficialmente no radar estratégico dos Estados Unidos. O Congresso norte-americano aprovou uma determinação direta para que a comunidade de inteligência produza um relatório detalhado sobre investimentos e influência da China no setor agrícola do Brasil. A exigência está descrita na Seção 6705, intitulada “Assessment and report on investments by the People’s Republic of China in the agriculture sector of Brazil”.
A medida marca um novo patamar de atenção geopolítica sobre o agro do Brasil e levanta um alerta importante: quando um tema entra no escopo formal da inteligência e segurança nacional dos EUA, ele passa a ter potencial de gerar desdobramentos diplomáticos, econômicos e até comerciais. O relatório deve ser conduzido pelo Diretor de Inteligência Nacional em coordenação com o Departamento de Estado e o Departamento de Agricultura dos EUA.
O texto aprovado não se limita a “investimentos” em sentido genérico, mas abre margem para um levantamento que pode envolver negócios em infraestrutura, participações e joint ventures, operações ligadas à logística e energia, cadeias de insumos e impactos estratégicos no mercado global. O relatório deve ser entregue em até 90 dias após a promulgação da lei.
O objetivo é avaliar a extensão dos investimentos chineses no setor do Brasil, incluindo parcerias com empresas brasileiras, e analisar os impactos sobre cadeia de suprimentos, mercado global e segurança alimentar. Esse ponto é central para entender por que a medida ganhou força em Washington: o agro brasileiro não é apenas “um setor econômico do Brasil”, mas uma peça do tabuleiro global de alimentos, com influência direta em produção e distribuição de alimentos.


