A recente aprovação da PEC 8/2025 pela Câmara dos Deputados, que extingue a escala 6×1, reacendeu discussões sobre as consequências trabalhistas no Brasil. De acordo com Claudio Pires, sócio-diretor de investimentos da MAG Investimentos, embora as varejistas listadas na Bolsa sofram um impacto inicial, a economia deverá se adaptar rapidamente às novas regras.
A proposta reduz a jornada semanal para 40 horas e garante dois dias de descanso, com uma transição de até 12 meses para que as empresas se ajustem. A primeira fase dessa transição prevê uma redução de duas horas na carga semanal, a ser implementada 60 dias após a promulgação da lei. Para Pires, a definição dessa regra de transição foi um fator crucial que pressionou as ações do setor varejista.
Apesar das preocupações, a MAG Investimentos não prevê uma retração significativa no Produto Interno Bruto (PIB) do país. Pires caracteriza as pressões de custo e preço nas empresas como um "choque momentâneo", que deve se dissipar com o tempo. A análise da MAG indica que apenas um terço da força de trabalho brasileira ainda opera sob a escala 6×1, uma vez que setores como o bancário e de seguros já abandonaram esse modelo há anos.
Adicionalmente, a extinção da escala de seis dias de trabalho e um dia de descanso alinha o Brasil às práticas de países desenvolvidos, como observa Pires, que também ressalta a baixa incidência desse modelo mesmo entre nações emergentes. Ele considera a nova legislação como uma medida positiva, embora a empresa não tenha proposto contrapartidas ou compensações financeiras para os setores afetados, uma decisão que Pires considera acertada.
Entretanto, essa perspectiva otimista contrasta com as preocupações expressas por líderes do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e várias associações de comércio e serviços alertam que mudanças rápidas na mão de obra podem elevar os custos de contratação e demandar reorganizações complexas, principalmente em pequenos negócios. Setores que lidam diretamente com o público, como restaurantes, hotelaria, logística e saúde, são considerados os mais vulneráveis.
Apesar das divergências entre setores e a resistência de alguns empresários, o mercado financeiro prevê que os danos serão limitados. Para a MAG Investimentos, a adaptação necessária em decorrência da nova lei se restringirá ao ambiente corporativo em um curto prazo, sem provocar efeitos estruturais duradouros.

